segunda-feira, 15 de agosto de 2011

451 - O PARAQUEDISTA VARZEALEGRENSE

Assistindo à reportagem  do ousado e destemido paraquedista  Luigi Cani no programa Esporte Espetacular de ontem, veio a memória um momento do meu querido primo José Cavalcante Júnior, hoje próspero comerciante de Várzea Alegre.

Na infância, no início da década de setenta, impressionado com filmes e fotos de revistas, o pequeno e inquieto Júnior sonhava em pular de paraquedas. Certa manhã, finalmente decidiu imitar seus ídolos e dar o primeiro e inesquecível salto.

Júnior subiu ao ponto mais alto de sua casa - a caixa d’água - e de lá pulou, desafiando a implacável lei da gravidade. Buscando imitar os corajosos saltadores, o garoto despencou de uma altura de cerca de cinco metros.

O nosso pequeno herói não foi objeto de nenhuma reportagem pelo feito espetacular, mas recebeu várias visitas  nos vários dias que passou se recuperando em uma rede, todo banido e machucado pela violenta queda.

O menino varzealegrense não obteve êxito no seu começo e final de carreira como paraquedista. Em vez do seguro equipamento dos profissionais, pulou usando  um velho guarda-chuva preto de seu pai Zé do Norte. As hastes do improvisado equipamento não suportaram a pressão, viraram para cima e Júnior se estatelou no chão de areia do muro da casa.


(imagem Google)


domingo, 14 de agosto de 2011

450 - DITADO




Na alfabetização, os alunos passavam por muitos ditados, treinos ortográficos com o objetivo de exercitar a escrita correta das palavras. No antigo primeiro grau, eu me submeti a vários desses exercícios aplicados por exemplares professoras como Aniete Ferreira e Isabel Bitu. Esta última anotava o desempenho de seus alunos em sua temida caderneta, apelidada de caixa preta

Na década de noventa, uma dedicada professora de português de Várzea Alegre, com o objetivo de fazer sua turma de jovens e adultos memorizar a  grafia de algumas palavras, aplicou um desses exercícios.
 
No dia seguinte, na sala de aula, após a correção da tarefa, a esforçada mestra chamou um dos alunos e advertiu:

         - Você vai precisar estudar mais. Errou trinta e uma palavras no teste de ontem.

- Como, professora ? Só era com trinta palavra. – Espantou-se o  aluno.

- É, mas em vez de escrever ditado você escreveu deitado.


Colaboração: Carlos Leandro da Silva (Carlin de Dalva)
(imagem Google)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

449 - NINHO NA LAGOA




Certa manhã do mês de janeiro da década de setenta, em Várzea Alegre, sertão cearense, uma antiga moradora do sítio Vazante, caminhando pela Praça Santo Antônio se encontrou com  José Odimar Correia e disse.

- Seu , este ano o inverno é fraco, a chuva vai ser muito poca

O político e pioneiro no transporte de passageiros de Várzea Alegre para Fortaleza perguntou:

- Como é que a senhora sabe disso?

- Passei na lagoa de São Raimundo e vi uma rolinha fogo-pagô*  fazendo um nin bem no mei  da lagoa. 

O experiente Zé Odmar, cético com tantas e diferentes experiências e previsões sobre o período de chuvas no sertão, alertou:

- Dona Maria, num vá por cabeça de rola não que a senhora se arromba...


* espécie de ave muito comum na caatinga nordestina

Colaboração: Raimundo Alves Bezerra (João sem Braço)

(imagem Google)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

448 - TOTA-TOLA




No final da década de oitenta, no mês de junho, os jovens varzealegrenses Maurício Bezerra e Luiz Diniz Júnior foram participar da movimentada Festa do Chitão na vizinha cidade do Cedro. Para surpresa e alegria dos rapazes, logo que chegaram na pequena cidade cearense conseguiram a simpatia e a companhia de duas belas jovens do lugar. 

Antes de ingressar no local do evento, os dois rapazes, educamente, indagaram se as moças desejavam beber algo e elas responderam que aceitariam refrigerante. Assim, os dois casais se dirigiram ao balcão de uma pequena bodega próxima, e perceberam a prateleira do modesto estabelecimento repleta de coca-colas.

Como os disléxicos Luiz Junior e Maurício apresentavam dificuldade na pronúncia e trocavam algumas letras, especialmente o “c” pelo “t”, nenhum  dos dois tomou a iniciativa de pedir a coca-cola. Um olhou para o outro e nada de solicitar  o apreciado refrigerante. Passados alguns segundos de incômodo silêncio, Maurício olhou novamente para a prateleira e se dirigiu ao bodegueiro:

- O senhor tem pepsi

- Tem não, rapaz. Num tá veno que aqui só vende coca-cola? – respondeu  secamente o cansado comerciante.

Aliviados por não precisar expor diante das paqueras suas dificuldades de pronúncia, Maurício e Luiz Junior  solicitaram quase ao mesmo tempo:

- Senhor, então traga duas...


Colaboração: Maurício Bezerra

(imagem Google) 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

447 - NO RUMO DA PRÓSTATA



 Após os quarenta anos de idade o cuidado com a próstata merece atenção permanente do homem. Várias campanhas publicitárias dos órgãos de saúde alertam para a importância dos exames regulares de toque retal. 

Certo dia, na vizinha cidade de Juazeiro do Norte, um cinquentão de Várzea Alegre buscou pela primeira vez um médico urologista para o sensível exame. 

Após rápida consulta, o nervoso paciente foi levado a um pequeno ambulátorio e orientado a tirar a roupa e se deitar na maca. Iniciado o procedimento, tocou um telefone celular e o médico atendeu com a mão desocupada enquanto o dedo indicador da outra permanecia enfiado no paciente.  A partir de então, toda a conversa no celular foi acompanhada por movimentos do inquieto dedo do doutor.

- Ei , leve o carro lá em casa. É facin. Suba a Padre Cícero e vá direto. Chegando na rotatória gire ela quase toda e siga no rumo de Barbalha. , ali perto da Favorita você faz o retorno e pega em direção ao Hotel Verdes Vales. No segundo quarteirão você entra a direita...

Desesperado com a demora no exame,  o paciente interrompeu:

- Dotô, esse Zé num conhece o cariri não. Deixe que eu vou buscar seu carro lá...


Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa

(imagem Google)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

446 - AUMENTANDO A AUDIÊNCIA




Em 1978, semanas antes da ansiada e comentada inauguração da Rádio Cultura de Várzea Alegre, os comerciantes Leônidas Siebra Leite(Alberto) e José Alves de Lima ( Ze de Ginu) inventaram que o rico proprietário da nova emissora, empresário Raimundo Ferreira, distribuiria gratuitamente aparelhos de rádio para a população mais pobre da cidade.

Para receber os rádios, os interessados deveriam se inscrever  antecipadamente no bar de Alberto ou  na farmácia de Zé de Ginu. O boato se espalhou rapidamente pela pequena cidade cearense e logo se formaram filas nos locais de inscrição. Todos desejavam receber o valioso brinde, inclusive pequenos moradores do centro comercial, como Aluizio Meneses, Rogéria Carvalho e Fabiana Costa, que obtiveram de Alberto a promessa de  inscrevê-los no concorrido caderno.

Na corrida por uma vaga entre os agraciados, Dona Zulmira Siebra atravessou a rua e foi até o bar, pedindo a seu filho Alberto que anotasse no caderno e priorizasse o nome da amiga  Vicença Gibão, pessoa carente e com necessidade do rádio. Alberto entao recomendou:

- Mamãe, vá em  Zé de Ginu pro povo num falar que eu tou de proteção com a senhora.

A velha senhora entao se dirigiu até a farmácia e conversou em particular com Zé de Ginu, que disse:

- Dona Zulmira, eu sabia que seu fii  era rim mas não a ponto de engabelar a própria mãe.


Colaboração: Leônidas Siebra Leite (Alberto)

(imagem Google)

domingo, 7 de agosto de 2011

445 - OS VOTOS DO CORONEL




No início do século passado, continuando oligarquia iniciada por sua avó Fidelarina, o coronel Raimundo Augusto Lima comandou por várias décadas a política da cidade cearense de Lavras da Mangabeira.

Por enfrentar a poderosa Coluna Prestes e o temido bando do cangaceiro Lampião, o chefe político se tornou ainda mais temido e respeitado pelo povo de Lavras da Mangabeira. Suas demonstrações de coragem e disposição atravessaram os limites do seu município e sua fama se espalhou pelo sertão cearense. Muitas passagens não possuem comprovação histórica mas habitam o imaginário popular.

Contam que, na véspera das eleições, Raimundo Augusto  recolhia os títulos e votava por seus empregados. Certa vez, na década de trinta, após  mais um escrutínio, o político devolvia os documentos  dos moradores de sua fazenda quando um dos agricultores indagou:

         - Coroné, nós queria saber pra quem nós votamo...

O poderoso chefe político não respondeu, apenas abriu um pouco o paletó e pôs à mostra o coldre do seu temido e implacável  revólver. Imediatamente, o modesto empregado recuou:

- Me adesculpa, Coroné. Tinha mesquecido   que o voto agora é secreto, ?


Colaboração: José Solário Crispim (Bibi)

(imagem Google)

sábado, 6 de agosto de 2011

444 - OUVIDO ENSINADO




Em certa tarde da década de setenta, um conhecido mau pagador da cidade de Várzea Alegre ligou para o escritório de corretagem de algodão para falar com o proprietário, o comerciante Dirceu de Carvalho Pimpim.

Após, várias voltas na conversa, de passear por despretensiosos assuntos, o  velhaco propôs:

- Seu Dirceu, tou precisano acertar umas conta hoje. O sinhô me arruma dez mil cruzeiro até amanhã? Só até amanhã.

Como se não entendesse a proposta do caloteiro, o velho e experiente comerciante se aproveitou, e, recolocando o pesado aparelho de telefone no gancho, se despediu:

- Apois até amanhã...


Colaboração: Carlos Leandro da Silva (Carlin de Dalva)
(imagem Google)