domingo, 6 de outubro de 2013

801 - O DÓLAR FURADO




Nos últimos dias, o cinema mundial perdeu, vítima de acidente automobilístico, aos 75 anos de idade, o ator italiano Giuliano Gemma, protagonista de inesquecíveis clássicos do chamado westerns spaghetti, como O Dólar Furado, filmado em 1965.

Na década de 1970, em Várzea Alegre, a garotada vibrava com a pontaria, a agilidade e o carisma dos personagens imortalizados por Giuliano Gemma e vistos na grande tela do cine Alvorada, dos irmãos Raimundo e Zé de Borgin.

Após a sessão, os meninos da pequena cidade cearense deixavam o cinema da antiga Rua Major Joaquim Alves se imaginando o próprio Ringo, um dos mais famosos tipos interpretados pelo ator italiano.

Municiados com a fantasia da idade e estimulados pelas histórias mostradas na grande tela, os garotos seguiam para suas casas pela estreitas e irregulares vias de Várzea Alegre propondo ingênuos duelos em que os revólveres eram as próprias mãos e o dedo indicador servia como o cano da arma.

Com o sopro na ponta do dedo, o mais ágil dos meninos comemorava a rapidez no saque da arma imaginária e perpetuava em suas lembranças o sucesso dos filmes de faroeste que marcaram a infância de todos que viveram a época de ouro do Faroeste e do inesquecível Cine Alvorada.

(imagem Google)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

800 - BORRACHUDO (Pedra de Clarianã há dois anos)




Segundo dados fornecidos recentemente pelo Banco Central, nos últimos quinze anos o número de cheques emitidos no Brasil diminuiu quase oitenta por cento.  O surgimento e popularização dos cartões de crédito e de débito são apontados como as principais causas dessa significativa  redução.

Em Várzea Alegre, sertão cearense, na década de noventa, após consumir várias cervejas em um conhecido bar e restaurante da cidade, um cliente pediu a conta, se aproximou do balcão e retirou uma folha de cheque da carteira. Imediatamente a dona do estabelecimento avisou:

- Eu num recebo cheque não.

- Mas o cheque é da senhora – insistiu o surpreso cliente.

-  Por isso mesmo que num recebo – finalizou a dona do bar.


Colaboração: Carlos Leandro da Silva (Carlin de Dalva)

(imagem Google)

sábado, 28 de setembro de 2013

799 - O PESO DA CARNE


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O agricultor mangabeirense José Tomaz Lemos, conhecido como Zuza Lemos, marcou pela sua espirituosidade. Era capaz de respostas rápidas e originais que, até hoje, quando lembradas, divertem os moradores do pequeno distrito cearense de Lavras da Mangabeira.

Certa manhã, Zuza Lemos foi ao mercado comprar o tempêro para o almoço. No momento em que o marchante* separava e pesava o pedido do agricultor, um jovem cliente comentou:

- Seu Zuza, com essa idade, o sinhô vai comer três quilo de carne duma vez?

O velho agricultor olhou para o rapaz e, mexendo a mão próximo à boca, tranquilamente respondeu:

- Ôxe, minha muié Zefinha tem mais de sessenta quilo e eu todo dia...


(imagem Google)
Colaboração: Ronaldo Lima.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

798 - A ROÇA DE ZAQUEU




Em uma manhã da década de 1980, o agricultor Zaqueu Guedes se dirigiu a uma casa bancária de Várzea Alegre em busca de uma linha de crédito para financiamento de sua plantação de milho no sítio Timbaúba.

O gerente, após verificar a documentação apresentada e analisar o pedido de empréstimo, olhou para o agricultor e disse:

- Seu Zaqueu, o senhor esta propondo o empréstimo de uma quantia muito grande, com uma enorme expectativa de colheita. O senhor acha que seu plantio irá produzir tanto milho assim?

O experiente agricultor, com sua eloquência e sabedoria de matuto, justificou:

- Seu Dotô, as roça da Timbaúba é boa de mii . "Zé Meu" já fez as conta. Esse ano, se dismanchá o mii de lá em canjica vai dá pra osfaltar as cinco légua* da rodage** de Vazalegre inté o Grangêro...

* légua é uma medida de distância equivalente a seis quilômetros
** rodagem é um vocábulo usado no sertão cearense como sinônimo de estrada, rodovia...
(imagem Google)
Colaboração: Paulo Roberto Bezerra Bitu

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

797 - VENDA DE MACAÚBA




A macaúba, palmeira espinhosa que produz um pequeno fruto bastante apreciado no sertão nordestino, nos últimos anos tem se apresentado como uma alternativa para a produção de biocombustível.

Mas nem sempre o delicioso fruto recebeu o merecido valor. Em Várzea Alegre, na segunda metade do século passado, nos sábado à tarde, o caminhão da macaúba, ao deixar a cidade cearense, fazia a alegria da meninada, distribuindo gratuitamente os frutos que sobravam da feira.

Nesse mesmo período, no distrito cearense de Mangabeira, Mané João resolveu vender macaúba na calçada do mercado. Um amigo, observando a negociação, alertou:

- Desse jeito num vai pra frente não. Você comprano a  dúzia de macaúba por dez e vendeno por cinco...

O insistente feirante, enquanto atendia um freguês, respondeu:

- Tem nada não. Eu quero sabê se tou no comerço...


(imagem Google)

Colaboração: Ronaldo Lima

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

796 - ALAMBIQUE DE OURO


[Encomenda Bebado para Marcio[6].jpg]

Em recente viagem, visitei um dos pontos mais conhecidos e movimentados de Belo Horizonte, o Mercado Central. Inaugurado em 1929, o  prédio ocupa uma área privilegiada na região central da cidade.

Cerca de 400 lojas vendem hortifrutigranjeiros de ótima qualidade, produtos típicos como queijos e doces mineiros, artesanatos, ervas e raízes.

Mas o que chamou atenção foi o preço da famosa cachaça Havana, fabricada em Salinas, Minas Gerais, desde 1943. A marca detém vários títulos de melhor cachaça do Brasil. O valor da garrafa de aguardente supera o de muitos uísques escoceses pois custa quatrocentos e cinquenta reais.

Naquele momento lembrei das guritas do mercado velho de Várzea Alegre que vendem cachaça por um valor bem mais acessível. Tanto que, na cidade cearense, quando passava um pinguço pela antiga Rua dos Perus, o saudoso ferreiro Chico Basil reconhecia:

- Oia. Aquele ali num tem mais nem um tostão pra bebê. Tá só na fubuia do mercado.

- E como tu sabe, Chico? – indagava um amigo.

- Só espiá no couro dele. Pode repará que soltano que nem pele de cobra...

(imagem Google)

*Fubuia' é um regionalismo do nordeste brasileiro, que significa cachaça e que em Várzea Alegre também tomou o significado de bebida de má qualidade.