quarta-feira, 19 de março de 2014

847 - SANTO PADROEIRO (Republicado)



     Em fevereiro de 1991 cheguei a Macapá. Além de perceber imediatamente a simpatia e hospitalidade do povo amapaense também fui recebido por fortes chuvas. Gostei. Não poderia ser diferente, pois cearense do sertão adora tempo chuvoso e calor humano.


     Não demorei a descobrir que além de dar nome a uma majestosa fortaleza, construção símbolo do Amapá, São José era padroeiro de Macapá. Bela coincidência, pois o homem descrito nas escrituras sagradas como justo, obediente e trabalhador, também fora escolhido padroeiro do Ceará.


     Chegou março e no dia 19, como nos outros dias do mês, caiu muita água dos céus de Macapá. Fiquei esperançoso, pois esse dia serve de referência para os cearenses na previsão da estação invernosa. Chover no dia de São José é sinal de um ano de bom inverno e de muita fartura.


     Poucos dias depois liguei para o Ceará para falar com minha querida avó Maria Amélia. Ansioso, fui logo dizendo:


     - Vovó, este ano o inverno vai ser bom, caiu a maior chuva no dia de São José.


     Porém, para minha surpresa, vovó falou:


     - Meu , só se foi aí, pois aqui não caiu um pingo d’água. Faça uma prece para São José distribuir melhor essas chuvas com seus afilhados

(imagem Google)

segunda-feira, 17 de março de 2014

846 - O CAMINHO DO GENERAL



Mesmo prestando menos de um ano do serviço militar obrigatório no exército em Fortaleza, meu querido tio Antônio Costa Filho, conhecido desde a infância como Antônio Ulisses, trouxe inúmeras histórias da época da caserna.  Adorava falar sobre esse rico e inesquecível período da sua vida, misturando fatos verdadeiros, lendas, e criações da sua prodigiosa mente.

Certa vez, tio Antônio Ulisses contou que no início da década de 1970 limpava o piso dos corredores da sede do 10a Região MIlitar, na capital cearense, quando um General entrou no prédio e parou repentinamente. O SD Costa Filho se aproximou, prestou continência e perguntou:

- Bom dia, General. Tudo bem com o senhor?

Ainda estático, com as mãos para trás, o comandante respondeu:

- Não está tudo bem porque não consigo entrar no quartel. Tem um grande obstáculo na minha frente.

O soldado varzealegrense estranhou, olhou para o limpo e brilhante piso do prédio militar e não viu nada que impedisse o caminho, momento em que o oficial superior apontou para o chão e, com voz firme, ordenou:

- Retire esse tronco de árvore que está na minha frente, soldado.

Apenas nesse momento Antônio Ulisses entendeu o que acontecia. Abaixou-se e apanhou do chão o objeto que impedia o General de seguir seu caminho: um pequeno palito de fósforo.

(imagem Google)

sexta-feira, 14 de março de 2014

845 - PAUSA NA POLÍTICA




A política partidária sempre foi um dos assuntos preferidos nas rodas de conversas de Várzea Alegre, município do sertão cearense. Se encontrar algum grupo da cidade reunido em um bar, em uma praça, em uma feira ou em qualquer outro lugar, há grande possibilidade dos participantes tratarem acerca de eleição.

No início da década de 1990, em um sábado, desde o início da manhã, vários amigos conversavam e bebiam no Bar de Chapada, na praça Santo Antônio. Após o consumo de dezenas de doses de cachaça e várias horas de bate-papo, um dos presentes ponderou:

- Hômi, desde cedo nós aqui só fala do partido de Dotô Iran, do partido de Dotô Pedo... Néra mió a gente mudar o rumo da prosa, não?

O pintor de paredes Francisco Alberto de Oliveira, conhecido como Beto Bentivi, mesmo adorando falar sobre política, levantou-se da cadeira e concordou:

- É devera. bom desse assunto mermo...

Em seguida, voltou a sentar à mesa e continuou:

- Rapaz, situação rim é a de Erundina*, no São Paulo...


* Política, prefeita de São Paulo entre 1989 e 1993, atualmente Deputada Federal.
Colaboração: Carlos Roberto Almeida (Beto)
(imagem Google)

quarta-feira, 12 de março de 2014

844 - MOTEL DO CAFÉ



A origem dos estabelecimentos destinados a encontros amorosos é muito antiga, mas, no formato dos atuais moteis, surgiu no Brasil apenas na metade do século passado.

No sertão cearense, em Várzea Alegre, os moteis demoraram ainda mais para se estabelecer. Por muito tempo, os encontro furtivos não contavam com um lugar seguro e confortável para acontecer.

Na década de 1960, uma conhecida dona de Café no Mercado Velho de Várzea Alegre, no fundo do seu comércio de merendas, destinou um pequeno quarto para encontros clandestinos de seus clientes. Certo dia, ao receber um habitual freguês de sua deliciosa tapioca e do seu aromático café, a proprietária  se sentou à mesa e falou em voz baixa:

- Toin, quando você quiser pode trazer uma muié aqui no Café. Eu arrumei uma cama no quartindetrás

O cliente se interessou e a dona continuou falando da novidade, reforçando a discrição do local:

- Óia Toin, pode usar o quarto que nunca vão sabê. Seu Luiz já foi e ninguem sabe. Seu primo Zé usou duas vez e ninguem sabe. Seu irmão João num sai de lá e ninguém ouviu falá

Colaboração: Antônio Alves da Costa Neto
(imagem Google)

segunda-feira, 10 de março de 2014

843 - ÔNIBUS LOTADO



Em recente passeio, em um dos trechos da longa viagem da amazônia amapaense ao sertão cearense, apanhei um ônibus em Fortaleza e segui até minha querida cidade natal, Várzea Alegre. No percurso de cerca de quatrocentos e cinquenta quilômetros pela estreita e sinuosa estrada do algodão recordei as inúmeras vezes que cruzei o Ceará naquele transporte coletivo. Difícil contar, mas desde a infância, em viagens de férias para a capital alencarina, passando pelo período de estudante morando na capital, até os tempos atuais, foram centenas de viagens.

Desde que me iniciei nesses caminhos, percebo uma razoável melhoria nos ônibus, com ar condicionado, banheiro, água mineral e oferta de cobertores. Porém, para mim, o principal avanço no transporte rodoviário foi o cumprimento da proibição do passageiro em pé. Pode parecer estranho para os mais jovens, mas era permitido o trasporte de passageiros espremidos, em pé, mesmo em trechos de cerca de oito horas de sacolejo, como o nosso. Quem conseguia uma vaga sentado e não tinha o azar de um desses infelizes descansar sentado no braço de sua poltrona viajava com um pouco mais de conforto.

Na década de 1980, em uma dessas demoradas viagens, o velho ônibus seguia lentamente, parando a todo instante, quando, em certo momento, para aumentar o desconforto, alguém flatulou. Um mal cheiro se espalhou no meio dos apertados passageiros. o varzealegrense de apelido João Sem Braço, que viajava em pé, antes de encostar o nariz no ombro, gritou:

- Negrada, Essa foi das braba. Fecha os zói se não cega..

Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa
(imagem Google)

sexta-feira, 7 de março de 2014

842 - USE CAMISINHA



A cada dia aumentam as importantes campanhas de incentivo ao uso dos preservativos para combater as doenças sexualmente transmissíveis, as famosas DST's. As escolas ajudam bastante nessa orientação mas a maioria das famílias ainda sentem muita dificuldade para tratar esse tema com suas crianças e adolescentes.

Certa vez, no interior do Ceará, um casal iniciava contatos íntimos no quarto da residência. O homem, em pé ao lado da cama, antes de iniciar o coito, passou a colocar uma camisinha em seu membro viril para evitar mais uma gravidez na sua fértil esposa, que aguardava deitada e enrolada aos lençóis.

Por um descuido a porta do quarto permaneceu aberta e o filho do casal, de doze anos de idade, entrou inesperadamente no cômodo. O pai, com as calças arriadas, buscando esconder do ingênuo filho o uso da camisinha, encolheu- se e passou a olhar para baixo da cama, dizendo:

- Tou vendo se o gato se escondeu aqui debaixo da cama...

Imediatamente, o filho, balançando a cabeça, resmungou:

- Pai, eu num acredito que o sinhô vai comer o gato...

Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa
(Imagem Google)