domingo, 31 de julho de 2016

930 - DA "MADAREIA" AO 'QUINCUNCÁ"

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Segundo trabalho científico apresentado no V Encontro Nordestino de Biogeografia por Antônia Eliene Duarte e outros especialistas, havia, no alto da serra, um descampado arenoso onde o gado costumava malhar, que, ao longo do tempo, de malhada da areia se transformou na corruptela “madareia”. Por sua vez, no consagrado livro “Os Sertões”, o escritor fluminense Euclides da Cunha cita quincuncá como vocábulo de origem tapuia, grupo indígena que habitava o interior brasileiro, usado para designar acidente geográfico.



Pois no último dia de julho, realizando desejo de nosso pai Luiz Cavalcante, saímos em busca de conhecer essas duas localidades serranas. Madareia, situada no limite dos Municípios de Várzea Alegre e Cariús, e, Quincuncá, no vizinho município de Farias Brito.



Sentindo os fortes ventos e a amena temperatura do local, da bela vista do alto da Serra da Madareia observamos grande parte de Várzea Alegre, mas outras elevações geográficas encobriam a sede do município. Poucos moradores da pequena localidade se arriscaram a abrir portas ou janelas das suas modestas casas, certamente estranhando os inesperados visitantes ou temendo o vento frio da manhã de domingo.



Saindo da Serra da Madareia, seguimos imediatamente em direção à Farias Brito para também conhecer a do Quincuncá. Ali, a íngreme subida foi facilitada pela recente pavimentação da sinuosa estrada que dá acesso às localidade  serranas.



Bem no alto, paramos para conhecer o Pontal do Padre Cícero,  mirante com belíssima vista para o Município de Farias Brito. Reza a lenda que o local foi indicado pelo venerado Padre de Juazeiro como um dos poucos pontos da região para se escapar de uma temida enchente causada por águas das fontes do Cariri, caso houvesse o deslocamento da famosa Pedra da Batateira, no Crato.



Por fim, no alto da serra, após passar pela comunidade do Umari, finalmente chegamos à progressista  Quincuncá, antiga Araticum, onde visitamos a capela de São José e nos encontramos com simpáticos moradores do distrito.  Na conversa, indagamos sobre a origem do nome Quincuncá, ouvindo várias versões.



Porém, de todas, a melhor justificativa para o nome da serra de Farias Brito, escutei há alguns anos da prima Wellen Liberalino. Segundo ela, há muito tempo na localidade dos seus avôs paternos havia apenas uma pessoa que sabia ler e escrever, responsável por redigir as cartas postadas pelos moradores da antiga localidade de Araticum. Quando perguntavam o seu nome, dando origem à denominação do local, ele respondia: “Sou Kinco, Kinco Com K”.

(imagem Google)

sábado, 30 de julho de 2016

929 - RAPADURA

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Hoje, no sitio Macacos, distrito de Mangabeira, Município de Lavras da Mangabeira, visitamos um dos últimos engenhos de rapadura em funcionamento na região centro-sul do Ceará.  Segundo o proprietário, senhor Gabriel Holanda Nunes, conhecido como Bié, de 79 anos, a “moagem” funciona desde à época do seu avô, quando ainda movida pela força animal, por juntas de boi. Dos 36 engenhos que funcionavam em Mangabeira, apenas o do sítio Macacos continua ativo, produzindo a tradicional e deliciosa rapadura.


Em meio roças,  moendas e fornalhas, vários profissionais desempenham suas atividades na produção do saboroso tijolo, tais como os plantadores da cana, bagaceiro, caldeireiro e cacheador. Entre eles, o mestre, que, com sua experiência e prática, decide o momento exato em que o mel pode se transformar em rapadura.


Além dos conhecimentos práticos, adquiridos ao logo de séculos de observação e experiências, várias crenças e superstições envolvem o funcionamento do engenho. Uma delas consiste em parar toda a produção na primeira segunda-feira de agosto, pois esse dia é considerado de “má sorte” e pode causar um acidente ou uma pane nas máquinas.


No engenho dos Macacos, ao contrário de outras indústrias modernas, não há a adição de produtos químicos para aumentar o teor de sacarose na rapadura. Utiliza-se apenas as misturas tradicionais, como a cal, logo após a moagem da cana, que serve para limpar a garapa. No fim do processo, o mestre da rapadura também adiciona o sebo de gado, para endurecer o mel e fazer jus ao conhecido nome do produto final.


Ouvindo atentamente a explicação, meu tio Paulo Danúbio, professor aposentado, perguntou:


- Seu Bié, o sinhô vende esse balde de Sebo de Gado?

- E o senhor vai botar um engenho de cana? – indagou o simpático proprietário da moagem.

- Não, seu Biê, quero ver se esse sebo serve pra endurecer outras coisa...
(imagem Google)

terça-feira, 26 de julho de 2016

928 - II GINCANA CULTURAL E ESPORTIVA DO JUAZEIRINHO

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     Neste último final de semana, a convite de Edinaldo Rodrigues e Sandro Santos, estivemos na zona rural de Várzea Alegre,  sertão cearense, acompanhando alguns momentos da segunda edição da gincana cultural e esportiva do distrito de Juazeirinho.

      Cerca de 100 crianças e adolescentes participaram de atividades promovidas pela Associação Comunitária do Juazeirinho com o apoio do grupo de jovens do vizinho distrito de Canindezinho.

      Foi emocionante e divertido ver jovens e crianças correrem pelos ramais de terra de chão batido. Mesmo sem calçar os tênis apropriados ou até mesmo correr descalços carregando as chinelas nas mãos, meninos e meninas mostraram a força socializante e educativa do esporte.

     Lembrando as tradicionais provas da Semana do Município, ocorreu ainda corrida de jumentos, com os animais montados e guiados por pequenos, corajosos e desenvoltos garotos. Entre as diversas modalidades assistimos à acirrada competição de ciclismo, com a utilização pelos jovens atletas das velhas bicicletas usadas para se deslocar no dia a dia pelas empoeiradas estradas vicinais da região.

      Na parte final das atividades da manhã de domingo, em meio às animadas provas de trancelim e das disputas das cadeiras, fotografávamos algumas frases do mestre Paulo Freire registradas na Escola São Pedro quando o garoto especial Wesley, mesmo com dificuldade para controlar os seus movimentos, fez questão de posar junto com as palavras do consagrado educador.

     O menino Wesley fez brilhar ainda mais a mensagem pintada na parede de que “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. E, ainda, nos fortaleceu a convicção de que abençoada e próspera é a comunidade que permite às suas crianças e aos seus adolescentes conhecer e saborear os deliciosos ensinamentos do esporte e da cultura.

(imagem Google)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

927 - DO RIACHO DO MACHADO AO "VELHO CHICO"

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      Navegar é preciso, navegar pelos rios brasileiros é necessário, fascinante e engrandecedor. Assim, semanas após conhecer as águas amazônicas que banham a ilha do Marajó, aproveitamos as férias pelo nordeste do país para beber um pouco da cultura, história e riqueza do Rio São Francisco.

     Saimos de Várzea Alegre, cidade do cariri cearense banhada pelo temporário Riacho do Machado.  Para chegar a Canindé do São Francisco, próximo à barragem e hidrelétrica de Xingó, nas margens do "Velho Chico", viajamos quase 600km pelos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe. No percurso, passamos por vários canteiros da grandiosa obra de transposição das águas do São Francisco para áreas distantes do semiárido nordestino.

     Pelas águas do Rio São Francisco, em um catamarã, participamos de um interessante passeio nominado Rota do Cangaço, seguindo rastros das lendárias histórias de Lampião, Maria Bonita e seu bando. No município de Poço Redondo, desembarcamos e percorremos 600 metros de tortuosa trilha até a conhecida Grota do Angico, local onde, em 28 de julho de 1938, tropas comandas pelo Tenente João Bezerra surpreendeu os cangaceiros, matando Lampião, Maria Bonita e mais 9 seguidores do polêmico “Rei do Cangaço”.

     Em parte do São Francisco, paredões sedimentares, avermelhados, conhecidos como cânions, formam um corredor, lindo cenário em contrastes com as cores azulada ou verde das águas do rio.

      Em Piranhas, cidade alagoana tombada pelo patrimônio histórico nacional, chamada Guardiã do Rio São Francisco, visitamos o museu do sertão e admiramos outros conservados prédios do centro histórico. Naquela simpática cidade, o esforço de subir centenas de degraus para conhecer os mirantes secular e da igreja do Senhor do Bonfim nos trouxe a recompensa de lindas paisagens produzidas especialmente pelo Rio São Francisco.

      Na primeira metade do século passado, favorecido pelo isolamento, Lampião escolheu aquele pedaço do Brasil próximo a divisa de vários Estados para atuação preferencial do seu bando, onde, mesmo assim, foi cercado e morto. Hoje, vencido o isolamento, o São Francisco sobreviveu a vários ataques. Produz a energia que impulsionou o desenvolvimento do nordeste e, torcemos, para que logo distribua  água para molhar as áridas e férteis terras da nossa região.  



(imagem Google)


domingo, 10 de julho de 2016

926 - VENEZA MARAJOARA



Neste fim de semana, atendendo convite do casal Ana Iria e Renato Ribeiro, navegamos por extensas baias da Foz do Amazonas, desde Macapá até Afuá, cidade ribeirinha ao norte da ilha de Marajó. Foi minha primeira vez na “Veneza Marajoara”, assim chamada porque cortada por vários rios, como Cajuuna, Marajozinho e Afuá.

Após deslumbrantes paisagens na viagem em direção ao arquipélago do Majaró, fomos muito bem recebidos em Afuá por seu Dalk Salomão, simpático morador que nos hospedou e nos acolheu com intenso carinho. Eu, minha família e amigos logo nos sentimos em casa.

Caminhando pelas pontes da cidade paraense, algumas construídas em concreto, sentimos a dimensão da vida ribeirinha. A comunidade se mistura aos rios que a banha e se completa com aquelas extensas faixas de águas da bacia amazônica.

            Na movimentada orla, em meio a intenso comércio de produtos da floresta, comprei limões cidra (ou galego). O vendedor me convenceu apresentando as inúmeras qualidades do fruto:

- Tira "pitiú" de peixe e afasta "panema".

            Mesmo me achando cheiroso e me considerando sortudo, resolvi comprar os limões. Afinal nunca é demais cuidar da higiene corporal e sempre é bom reforçar as proteções contra o azar.

            Se na Veneza italiana as gôndolas singram os canais e compõe sua paisagem; na Marajoara, a bicicleta representa o único meio de transporte permitido sobre as pontes. Os serviços de táxi, primeiros socorros, segurança pública, combate a incêndio, transporte pessoal, tudo é desempenhado com o apoio do saudável veículo.

            No período de "agua grande", por volta do mês de março, a maré sobe muito e avança por baixo dos imóveis edificados sobre palafitas. Nesse período, o cemitério da cidade também permanece coberto d'água, razão pela qual os próprios moradores de Afuá brincam que ali o morto morre várias vezes, já que, mesmo enterrado, morre afogado todo ano na água grande.
 
            Os três dias que passamos pela cidade nos deixaram uma ótima impressão, tanto que, na volta para Macapá, na rápida lancha a motor Virgem da Conceição VI, quando ainda atravessávamos a chamada Baía do Vieira, deu saudade da sossegada, agradável e simpática Afuá.

(imagem Google)

terça-feira, 14 de junho de 2016

925 - DO AÇAÍ AO CHIMARRÃO

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No rastro do famoso ditado popular “do Oiapoque ao Chuí”, eu, minha esposa Eliziê e vários amigos, como Ângelo, Paulo, Ilza e Tânia, no último final de semana, cruzamos o continental território brasileiro, do Amapá ao Rio Grande do Sul.


Após meses de dedicada preparação, a equipe amapaense, na manhã gelada de domingo, encarou corajosamente e cumpriu honradamente o desafio de correr os 42 km da Maratona Internacional de Porto Alegre. Os treinos exaustivos no calor da nossa região banhada pelo gigantesco Rio Amazonas premiou o destacado desempenho dos atletas na corrida iniciada na congelante beira do grande Rio-Lago Guaíba.


Os poucos dias na acolhedora capital gaúcha não serviram apenas para participação na tradicional corrida de rua. Provamos do delicioso churrasco, assistimos a vistosos espetáculos de danças tradicionais, conversamos no Mercado Público com o conhecido Gaúcho do Beira-Rio, nos encantamos com o moderno estádio do Internacional, visitamos belíssimos espaços como a histórica Casa de Cultura Mario Quintana e encontramos e conhecemos corredores de todo o país.


Eu, embora inscrito na meia, preferi participar da Maratona de uma forma diferente, seguindo, de bicicleta, os corredores, e, registrando as imagens da inesquecível manhã de 12 de junho de 2016. Como os sete mil e quinhentos corredores, sofri com a temperatura próxima a zero grau, mas me senti aquecido com a emoção e desenvoltura dos nossos atletas.


Na segunda, os corredores, orgulhosos, trouxeram no estufado peito suas medalhas na triunfante volta ao Amapá. Eu, comemorei tudo isso, e, principalmente, o retorno ao nosso calor equatorial, pois, pude, finalmente, em solo tucujus,  rever o meu pinto e tomar um demorado e refrescante banho.
(imagem Google)

terça-feira, 17 de maio de 2016

924 -NASH GRIER

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     Para uma programada viagem, saí de Macapá, na Foz do gigantesco Rio Amazonas, onde os navegadores europeus de meados do milênio passado imaginaram ver o Mar, para a cidade do Rio de Janeiro, localizada na Baia de Guanabara, grande entrada do oceano no continente, que fez os antigos navegadores supor que ingressavam em um grande rio.


      Com minhas duas filhas mais velhas, Alice Maria e Ana Luíza, cruzei o Brasil e visitei a Cidade Maravilhosa para uma programação só delas, assistir ao show do YouTuber e Viner americano Nash Grier.


      Quem tem mais de 20 anos nunca ouviu falar e não conhece esse jovem estrangeiro. Ele não aparece na TV, não é ouvido no rádio e nem lido em Jornais, mas é seguido por mais de 30 milhões de adolescentes em suas redes sociais, o que o torna atualmente o maior influenciador mundial da população juvenil.

      No Rio, mal deu pra caminhar pelos famosos calçadões das praias da Zona Sul e visitar o encantador Museu do Amanhã. Minhas filhas, como centenas de outras, preferiram acampar em frente ao luxuoso hotel onde Nash Grier e seus amigos se hospedaram. Eu aderi ao movimento e ali também montei guarda. Olhando pelas frestas das cortinas observava e avisava a elas sobre eventual aparição de algum dos famosos rapazes.


      Durante o ansiado show, no Circo Voador, ao lado dos exuberantes Arcos da Lapa, fiz fotos com os novos ídolos e acompanhei a histeria das minhas filhas e outras milhares de adolescentes vindas de toda parte do país. Elas choravam, riam ou gritavam ao ver os jovens brincando,dançando ou tocando instrumentos no palco. Cada uma com um moderno telefone, filmando e fotografando todos os lances.

      Testemunhando tudo isso, me dei conta que vivemos uma nova era. Um momento em que jovens escolheram e desenvolveram um poderoso e alternativo canal de comunicação mais forte que as TVs, rádios e jornais juntos. Um tempo em que gravar o espetáculo para publicar nas redes sociais se apresenta mais importante que curtir diretamente o evento.


      Isso é pior ou melhor para a nova geração ? Não sei. Ninguém sabe. O certo é que me diverti, voltei ao meu tempo de menudo e me contaminei com a alegria das minhas filhas e suas amigas. O mundo não se acabou com o gibi nem com outras febres do passado. Não será agora que virei fã e comecei a seguir Nash Grier e sua carismática turma nas redes sociais que o planeta vai chegar ao fim.


     É saudável ficarmos atentos às mudanças, pois, como na história dos grandes navegadores, quase sempre enxergamos apenas o que parece ser.

(Imagem Google)

domingo, 24 de abril de 2016

923 - A "BUDEGA" E OS ROLOS DE FUMO

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A Casa São Raimundo, estabelecimento do ramo de secos e molhados, situada no centro de Várzea Alegre, sertão cearense, completa, neste mês de abril de 2016, setenta anos de funcionamento ininterrupto. Em 1946, foi adquirida pelo comerciante e agricultor Raimundo Cavalcante, popularmente conhecido por Raimundo Silvino.



Em meados do século passado, nas tratativas para compra da budega,  houve um pequeno entrave que quase impediu a concretização do negócio. Mário Cassundé, proprietário, condicionou a venda do ponto comercial à inclusão de uma grande quantidade de fumo em rolos, produzido no sítio Monte Alegre, município vizinho de Farias Brito.



Com a exigência, Raimundo Silvino pensou em desistir, pois suas economias não eram suficientes sequer para comprar a budega, quanto mais com os rolos de fumo incluídos pelo vendedor, o que dobraria a quantia necessária para o negócio, dez contos de reis.



Mesmo assim, acompanhado de seu filho primogênito Luiz Cavalcante, de apenas 10 anos, Raimundo Silvino visitou o depósito repleto de rolos de fumo, localizado no bairro Betânia, na pequena Várzea Alegre. Na ocasião, ao entrar e demorar alguns minutos no recinto, o menino Luiz se embriagou com o forte cheiro exalado pelo fumo.



Mário Cassundé insistiu na venda da budega casada com os rolos de fumo, contudo propôs que Raimundo quitasse inicialmente apenas o valor do ponto comercial, facilitando e parcelando o pagamento da quantia relativa ao fumo:



- Raimundo, você é um homem trabalhador e com crédito. O fumo você me paga na maciota...



Homem corajoso e empreendedor, Raimundo Silvino aceitou as condições e o negócio se concretizou. Em uma sorte comum àqueles que ousam, logo após a compra, o fumo melhorou substancialmente de preço no mercado, permitindo ao novo dono da budega pagar sua dívida com Mario Cassundé bem mais fácil e rapidamente do que esperava.



Atualmente, após 70 anos da compra, Luiz Cavalcante(Silvino), com 80 anos de idade, cheio de energia e disposição, continua a atividade iniciada pelo pai e se orgulha de contar essa história, da qual foi testemunha ainda criança.



Fosse um estudioso, um escritor, o experiente Luiz Silvino poderia lançar um livro de autoajuda para os novos comerciantes e empreendedores, certamente um best-seller, que, entre outras lições adquiridas em várias décadas de balcão, lembraria que não devemos nos apavorar, nem desanimar, quando o fumo entrar no negócio.



(imagem Google)

domingo, 3 de abril de 2016

922 - O MARQUÊS DE BICICLETA

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Buscando voltar no tempo,  usando roupas elegantes, com bicicletas antigas e de estilo mais tradicional, em 2009 surgiu em Londres, na Inglaterra, o movimento que se espalhou pelo mundo e por algumas cidades do Brasil com o nome Bike Chic Retrô

Em Macapá, os amigos Jair Borges e Leandro “Bombeiro” juntaram vários grupos de ciclistas e desde o ano de 2015 realizam o Pedal Chic Retrô. Como na primeira edição, neste ano de 2016, o evento contou com cerca de cem participantes, que cuidaram de detalhes nas vestimentas e nas bikes para lembrar o período em que as bicicletas eram maioria sobre os automóveis nas vias das cidades.

Saindo da Fortaleza de São José de Macapá, ontem, dia 2 de abril, o estiloso passeio percorreu as ruas centrais e da orla do Rio Amazonas e parou em outros prédios históricos e importantes da capital amapaense, como a antiga Intendência – atual Museu Joaquim Caetano, Igreja de São José e sede regional da Ordem dos Advogados do Brasil. No final, todos se confraternizaram e saborearam lanches servidos em um animado piquenique.

E mais uma vez os ciclistas contaram com o importante apoio dos conservados veículos do Clube do Fusca, despertando ainda mais o interesse e atenção de todos que assistiram à passagem do  II Pedal Chic Retrô.  

Como todos os participantes, cuidei pessoalmente dos detalhes da minha Cobrita, bicicleta de quadro antigo, especialmente montada para o evento. Em armarinhos da cidade, adquiri acessórios para minha vestimenta, como suspensório, óculos, gravata borboleta e cartola. Afinal, neste dia, encarno o antigo ciclista com o título honorífico de  Marquês de Várzea Alegre.

Como também busquei registrar as imagens do pedal, em alguns momentos me distanciei e me separei dos demais participantes, buscando melhores ângulos para as fotografias. Em um desses momentos, no final do passeio, no entorno da histórica Fortaleza, uma criança de aproximadamente cinco anos me viu passar apressadamente na minha exótica bicicleta,  desengonçado e pouco elegante, com uma exagerada cartola na cabeça. O pequeno garoto correu em direção a um grupo e pessoas, e, apontando para mim, gritou várias vezes:

- Olha, papai, um palhaço. Um palhaço de bicicleta, papai...

(imagem Google)

terça-feira, 15 de março de 2016

921 - CAROÇO DE MILHO

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     Zé Lins, conhecido vendedor de limão, morou por muitos anos de anos no sítio Baixio de Antônio Primo, em Várzea Alegre. Disposto trabalhador rural, vez ou outra apresentava problemas psiquiátricos.


      Certa vez, na década de 1970, Zé Lins surtou e pôs na cabeça que era um caroço de milho. Preocupados, amigos e familiares levaram o agricultor para uma consulta na Casa de Saúde São Raimundo Nonato. O experiente médico Pedro Sátiro conversou demoradamente com o agricultor e o convenceu de que não era um grão de milho. O médico insistiu com o paciente:


      - Zé, você tem pernas, tem braços, tem corpo, tem cabeça. Você não é um caroço de milho, você é um homem, Zé. Um homem de bem, trabalhador. Tá convencido, Zé ? O que você é?

      O agricultor cearense, saindo do consultório, falava sem parar:

      - Eu sou um homi, num sou mi não, dotô. Sou é homi, sou homi...


      Passados alguns minutos, a recepcionista do hospital entrou inesperadamente na sala do médico e falou:


      - Doutor Pedro, o paciente que saiu agora há pouco tá em cima do muro do hospital e não tem quem faça sair de lá...


      O médico deixou o estetoscópio sobre a mesa e seguiu rapidamente pra frente da Casa de Saúde. Ali encontrou o agricultor de cócoras em cima do muro e falou:

      - Zé Lins, você não me disse que estava convencido que não era um caroço de milho, homem ?


      Assustado, apontando para o grande quintal de uma  casa vizinha hospital, ponderou:
 
     - Dotô Pedo, eu acho que sou um homi, sou um homi. E aquele galo carijó de seu Totô, será que ele num pensa que sou um caroço de mi, não?


Colaboração: Cicero Lisboa

(imagem Google)

segunda-feira, 14 de março de 2016

920 - O FIM DA TV

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     Nas entranhas do sertão seu Lunga ganhou notoriedade pela sua impaciência e certa ignorância. Mas essas pitorescas histórias não mantém exclusividade com o Juazeiro do Norte, terra do padre Cícero e do famoso Lunga.


     Em Cajazeiras, na década de 1980, o agricultor Rivaldo Lobo, após breve viagem à progressista cidade paraibana, entrou na loja de eletrodoméstico, Armazém Paraiba, e pediu uma TV colorida de vinte polegadas.

      O vendedor estranhou:


      - Outra TV ? Que sucedeu ? Num faz um mês que o sinhô levou uma na caixa...

       Encabulado e arrependido, o agricultor da vizinha Lavras da Mangabeira, sertão cearense, passou a contar o triste fim do seu moderno aparelho de televisão de vinte polegadas:

       - Desde que a televisão chegou em casa não tivemo mais sossego. As muié direto nas novela e os minino veno desenho e filme de luta...


      Dois dias antes da viagem à Cajazeiras, no final da tarde, Rivaldo chegara da roça e pedira a seus filhos que fossem apanhar os animais no pasto seco da caatinga:


     - Rusvel vá buscar o gado pro curral.


     O filho mais velho, assistindo a um famoso programa do canal SBT, enrolou um pouco, mas, com má vontade, se levantou e foi atender às ordens do pai. Por sua vez, o pequeno Relvis não deu muita atenção ao pai e continuou assistindo ao programa do famoso palhaço. Mesmo o pai insistindo: 


     - Relvi, meu fi, quantas vezes eu vou pedir pra você buscá as oveia?
 
      Seu Rivaldo solicitou três outras vezes e nada do caçula escutar. Passados alguns minutos, Relvis passou correndo na direção da roça dos ovinos, assustado, e aos prantos. Sem parar, gritou para o irmão que tangia o gado:

      - Rusvel, tu ouviu o tiro? Pai pegou um revolve e meteu bala no Bozo, pai matou o Bozo...

Colaboração: Rusvel Lobo
(imagem Google)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

919 - DE VOLTA PARA O PASSADO



O mundo comemora os trinta anos do lançamento do primeiro filme da saga DE VOLTA PARA O FUTURO, do diretor Robert Zemeckis. O sucesso estrelado pelo ator americano Michael J. Fox conta a história do jovem Marty McFly que aciona acidentalmente uma máquina do tempo construída pelo cientista Emmett Brown (Christopher Lloyd) que o faz retornar aos anos 50. No passado, o jovem conhece sua mãe (Lea Thompson), que fica apaixonada por ele. Tal paixão põe em risco a existência de Marty , pois alteraria todo o futuro, forçando-o a servir de cupido entre seus pais.

As comemorações do filme me transportaram para 30 anos atrás. Na época, em Fortaleza, me preparava para realizar os exames de vestibular, quando convidei o primo Sérgio Ricardo, também pré-universitário, para assistir ao badalado lançamento:

- Sergin, vamos esquecer um pouco os estudo e dar uma relaxada vendo o filme no São Luiz.

O convite foi aceito e, de ônibus, nos dirigimos ao centro da capital cearense. Ao chegar à Praça do Ferreira nos deparamos com uma enorme fila na entrada do famoso cinema do grupo Severiano Ribeiro. Com muita dificuldade, após algumas horas de espera, conseguimos os ingressos e entramos no superlotado cine São Luiz.

Na tela grande da luxuosa casa de cinema, atento a todos os detalhes, vibrei com as aventuras do jovem Marty McFly no seu retorno ao passado. Quando a exibição do filme terminou e as luzes foram acessas, olhei para o lado e vi meu primo, com a cabeça inclinada para frente, roncando:

- Sergin, acorda. Tu num viu o filme não, macho?

O querido e saudoso primo, que infelizmente não nos acompanhou na viagem para o futuro, acordou meio assustado, esfregando os olhos e justificou:


- Ei, Flavin. Tu num disse que era pra relaxar no cinema?

sábado, 15 de agosto de 2015

918 - PEDAL PARA O IGARAPÉ




 Hoje, ainda pela madrugada, comecei o dia de sábado pedalando, saudável atividade que me divertiu na infância e voltou a encantar minha vida. Com mais treze amigos, levados por nossas bicicletas, fomos a uma localidade distante cerca de 50km de Macapá.
 
         Ao chegar ao simples e belo lugar, esquecemos imediatamente o cansaço das pedaladas, das diversas subidas, mergulhando na água fria do Igarapé. Além de nos refrescar no banho e nos divertir com um animado bate papo, resolvemos uma questão que nos atormentava desde que programamos o pedal para aquela localidade. Afinal, o Igarapé que deu nome ao lugar se chama "Das Armas" ou "Das Almas"?

         Um antigo morador do local, José Carlos, proprietário do pequeno estabelecimento comercial construído à margem do Igarapé, nos esclareceu que seu pai, José Flexa, nascido naquele lugar, contava que há muitos anos o pequeno córrego era bastante utilizado por caçadores. Numa dessas aventuras pelo Igarapé, a canoa afundou e os caçadores perderam suas armas. Dai em diante, por essa razão, o riacho passou a ser chamado de Igarapé das Armas.

         Dúvida sanada, preparávamos nossas bicicletas para retornar à Macapá quando Seu José Carlos comentou com Socorro, única ciclista mulher do nosso grupo:

         - Moça, você acredita em alma? Tem morador antigo que fala que o nome do Igarapé pode ser "Das Almas", pois aqui e ali aparecem umas visagens por aqui... pedalando...

(imagem Google)