quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

962 - PEDRA DE CLARIANÃ, A ORIGEM


Desde criança, lá pelas bandas do sertão cearense, escutei uma interessante história, narrada inicialmente por seu Alberto, empregado do meu avô materno.
Aquele humilde homem, de mãos calejadas pela dura vida de lavrador, nos intervalos de sua faina diária, falava sobre a existência de um reino distante, onde habitava uma linda princesa. Uma donzela, plena de virtudes e beleza, que ansiosa, de braços abertos, aguardava a chegada do seu príncipe, o próprio Alberto.
Além de possuir o coração da linda herdeira, seu Alberto também era proprietário de uma pedra de ouro. Não se tratava de uma pedrinha ou de uma pepita qualquer, era uma pedra imensa, gigantesca, a Pedra de Clarianã. Toneladas e toneladas de ouro maciço, pertencente a seu Alberto.
A fortuna em metal precioso transformava aquele pobre  agricultor no homem mais rico da terra. Tamanha propriedade também espantava qualquer dúvida sobre a existência do amor distante. Claro que havia uma linda princesa encastelada, esperando a chegada do príncipe Seu Alberto. 
  A rica imaginação do modesto homem habitou por muito tempo a fantasia de inúmeras crianças. Eu, mesmo não ouvindo a história contada diretamente por seu Alberto, também viajei na lúdica narrativa da enorme pedra de ouro e da bela princesa.


Outro dia, por acaso, descobri que realmente existe uma pedra enorme com nome parecido, cantada por poetas populares: A Pedra do Claranã, localizada no outro lado da chapada do Araripe, no sertão pernambucano, no município de Bodocó.
Não sei se a pedra de Bodocó tem toneladas de ouro ou se naquele sertão existe um reino com bela princesa. Porém, ninguém duvida que seu Alberto e as crianças que ouviram aquela história jamais perderam a esperança de encontrar a verdadeira Pedra de Clarianã.
Lúdicas histórias, com reinos, castelos, princesas e fortunas sugerem um final feliz. Nós todos ainda encontraremos a verdadeira pedra de Seu Alberto.

*Postagem número 1, publicada originalmente em 21 de fevereiro de 2009
(imagem Google)


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