domingo, 31 de julho de 2011

440 - SALA DE AULA




Na década de noventa, o varzealegrense Raimundo Alves Bezerra, que após perder o membro superior esquerdo  em grave acidente se tornou conhecido como João Sem Braço, decidiu voltar aos bancos escolares e se matriculou em um curso para jovens e adultos.

No primeiro dia na escola,  João Sem Braço se sentou na fila da frente da sala e passou a acompanhar uma aula de português, que naquela noite tratava das regras da acentuação gráfica. Buscando  incentivar o interesse e a participação dos alunos, o professor sugeriu:

- Alguém poderia citar três exemplos de palavras com til.

O irreverente aluno levantou seu único braço e, mencionando pessoas e empresas conhecidas em Varzea Alegre, respondeu:

- Mercantil, Frigotil e Angelita de Til.


Colaboração: Carlos Leandro da Silva (Carlin de Dalva)

sábado, 30 de julho de 2011

439 - HOMOFOBIA




Nos últimos anos, as atitudes negativas e hostis de grupos preconceituosos em relação aos homossexuais aumentaram significativamente. Mas essa cruel e desumana discriminação não se iniciou agora.   

Em certa noite de sábado da década de setenta, na pequena Várzea Alegre, após sair de um forró no Recreio Social, Noberto Bolandeira foi flagrado no escuro Beco de Gobira mantendo relações íntimas com outro rapaz.

A polícia foi imediatamente acionada, repreendeu com violência o pobre homossexual  e o conduziu para a Delegacia da cidade.

Dias depois, o declarado homossexual foi visto triste, de cabeça baixa, no ponto de ônibus esperando a passagem do Rápido Crateus. Ao ser indagado o que ali fazia, Noberto disse:

- Vou imbora dessa cidade. Um lugar que não posso nem o que é meu...


Colaboração: Raimundo Alves Bezerra (João Sem Braço)

(imagem Google)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

438 - LEITE PURO




Por muitos anos, Joaquim Gibão, montado em seu velho jumento, vendeu e entregou o nutritivo leite de vaca pelas tranquilas ruas da pequena cidade de Várzea Alegre. 

Certo dia, cedo da manhã, na antiga Rua do Juazeiro, atual Rua Doutor Leandro, uma exigente freguesa, insinuando que o vendedor misturava água ao leite, ironizou:

- Seu Joaquim, ontem fui frever o meio litro de leite que comprei do senhor e uma piaba pulou da caçarola.

O experiente leiteiro, com o raciocínio rápido  do povo simples e inteligente do interior brasileiro, retrucou:

- A senhora compra mei lito de leite e já quer ter direito a uma curimatã* ovada...


* nome popular de peixe muito apreciado no sertão cearense.

Colaboração: Raimundo Alves Bezerra  (João Sem Braço )

(imagem Google)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

437 - TELEFONE GRAMPEADO




Atualmente no Brasil há muito mais celulares que habitantes. A telefonia móvel invadiu o país, permitindo a comunicação rápida  entre pessoas de diferentes e distantes regiões. 

Mas nem sempre houve tanta facilidade. Quando na década de oitenta morei em Fortaleza, minha querida avó Maria Amélia mantinha o seu movimentado apartamento com os parcos proventos de professora aposentada. Com muita economia, equilibrava o orçamento doméstico e ainda guardava uma reserva.

Entre as várias despesas controladas se destacava o gasto com o telefone. Para limitar as ligações, o antigo aparelho permanecia bloqueado com um cadeado afixado no disco. A chave permanecia no bolso do vestido da simpática e esperta velhinha até quando ela dormia.

Certo dia, saí cedo da manhã para o colégio e de lá segui para o campo de futebol. Me entreti com os amigos e perdi a hora. Só voltei para a casa já proximo ao final da tarde. Ao chegar, fui recebido à porta com a reclamação da minha avó:

- Flavin, eu fiquei muito preocupada, onde você tava esse tempo todo? Eu já ia fazer uma carta contanto tudo pro seu pai...

Mesmo conhecendo o rígido controle do telefone de minha querida avó, me surpreendi:

- Vovó, nem para avisar que eu tava sumido a senhora ia gastar um interurbano pra Várzea Alegre....


(imagem Google)

terça-feira, 26 de julho de 2011

436 - BORRACHUDO




Segundo dados fornecidos recentemente pelo Banco Central, nos últimos quinze anos o número de cheques emitidos no Brasil diminuiu quase oitenta por cento.  O surgimento e popularização dos cartões de crédito e de débito são apontados como as principais causas dessa significativa  redução.

Em Várzea Alegre, sertão cearense, na década de noventa, após consumir várias cervejas em um conhecido bar e restaurante da cidade, um cliente pediu a conta, se aproximou do balcão e retirou uma folha de cheque da carteira. Imediatamente a dona do estabelecimento avisou:

- Eu num recebo cheque não.

- Mas o cheque é da senhora – insistiu o surpreso cliente.

-  Por isso mesmo que num recebo – finalizou a dona do bar.


Colaboração: Carlos Leandro da Silva (Carlin de Dalva)

(imagem Google)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

435 - CERVEJA CHOCA




Em Várzea Alegre, na década de setenta, um proprietário de tradicional bar da cidade cearense não despediçava a sobra da cerveja.  Guardava tudo em uma garrafa, tampava e colocava de volta na velha geladeira marca Eletrolux.

Aos sábados, no fim da feira, o dono do boteco sempre servia a sobra da cerveja a um assíduo cliente da zona rural. Como se nova e intacta, o comerciante trazia a bebida para a mesa e matava a sede do simpático agricultor.

Certo sábado, o velho cliente do sítio chegou ao bar, escontou-se ao balcão  e pediu uma cerveja gelada. A fraqueza do movimento da semana anterior não permitiu juntar sobra de bebidas. O dono do bar então se viu obrigado a servir uma cerveja lacrada. Ao provar daquele cobiçado líquido, o  exigente freguês cuspiu e reclamou:

- querendo me engabelar, né ? Essa cerveja tá choca, hômi ...


Colaboração José Solário Crispim (Bibi)
(imagem Google)

domingo, 24 de julho de 2011

434 - NOVO PONTO TURÍSTICO




Como minha querida cidade natal se localiza no centro-sul do Ceará, longe da capital e de outras cidades maiores, muitos carros de conterrâneos que migraram para regiões com mais oportunidades de trabalho trazem afixados em seus parabrisas adesivos com a frase “Oh Várzea Alegre boa, só é longe”.

No final de agosto de 2005, em Varzea Alegre, após curtir animada festa do padroeiro São Raimundo Nonato, cedo da manhã apanhei a estrada do algodão para cumprir mais de quatrocentros quilômetros até  Fortaleza, de onde a noite seguiria em vôo para Macapá. 

Nesse dia, fui até a capital cearense no veículo do meu irmão Luiz Fernando. Para trazer o carro de volta a Várzea Alegre, seguiu comigo Antônio, funcionário de confiança da família. E para que o motorista não retornasse sozinho também nos acompanhou na viagem o vaqueiro Cição

Mesmo depois de seis horas de percurso rodoviário, chegamos cedo, restando algumas horas para aproveitar a bela e agradável Fortaleza. Até aquele dia, Antônio e Cição  sairam poucas vezes de Várzea Alegre e não conheciam a capital alencarina e seus concorridos pontos turísticos. Logo ao chegar eu perguntei:

- O que vocês querem conhecer em Fortaleza?

Certo que meus dois companheiros de viagem escolheriam conhecer o badalado shopping Iguatemi ou alguma paradisíaca praia da cidade, me supreendi ao escutar:

- Dotô, é longe o Banco Central? – perguntou o tímido motorista.

- Nós queria espiá o lugar onde aqueles ladrão robaram o banco cavando buraco igual  tatu – completou o extrovertido Cição.

Junto com os dois segui para o cruzamento da Avenida Heráclito Graça com Dom Manoel, sede do banco. Ali nos impressionamos com a engenhosa ação dos autores do furto milionário que esta semana foi imortalizado  pelo premiado  diretor Marcos Paulo, no filme “Assalto ao Banco Central”.



(imagem Google)

sábado, 23 de julho de 2011

433 - FEIRA LIVRE




Encontradas desde Roma e Grécia antigas, as feiras livres sobreviveram bravamente até os tempos atuais. Diariamente, nas ruas de todas as cidades, vendedores e compradores exercitam a milenar arte de negociar, discutindo diretamente o preço dos produtos expostos em barracas.

Por vários anos da década de setenta e oitenta, em Fortaleza, minha querida avó Maria Amélia frequentou a movimentada feira do bairro Jardim América. Ali se tornou conhecida pelos barraqueiros e demais clientes por sua simpatia, cordialidade e  economia.

Certa manhã, após pedir e não conseguir desconto em um quilo de batata doce, minha avô, usando um meio  alternativo de pechinchar, pôs a mao dentro do saco da batata e falou:

- Meu filho, então me dê mais essa de agrado...

O experiente barraqueiro, acostumado com o espírito regateador da cliente, relutou:

- Mas dona Maria, essa batata aí pesa quilo e mei...


Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa
(imagem Google)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

432 - O GENRO DO PROFESSOR





Em um fim de noite da década de 70, no sertão cearense, um experiente e disciplinado professor voltou pra casa depois de um dia inteiro de exaustivo trabalho.  Ao entrar na sala, se deparou com sua filha jogando dominó em companhia de um desconhecido rapaz. A moça cuidou logo em apresentar o jovem:

- Pai, esse é , meu namorado. Eu tava sozinha e chamei ele pra me fazer companhia.

O folgado rapaz, sem camisa, mascando chiclete, sentado em uma cadeira e com os pés em cima de outra, convidou:

- Bora jogar uma, sogrão...

O professor, já com péssima impressão do novo genro, entrou em seu quarto e voltou em seguida. Ao se surpreender com o pai, totalmente despido, retornando para a sala, a filha gritou envergonhada:

- Pai, que é isso ? O senhor tá  nuzin... 

Olhando para o espaçoso genro, o velho se aproximou da mesa do dominó, puxou a cadeira e tranquilamente respondeu:

- Minha filha, é pra se chegar alguém de fora saber quem é o dono da casa.


Colaboração: Paulo Danúbio Carvalho Costa

(imagem Google)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

431 - A BANCA DO GERENTE




Em 7 de  dezembro de 1977, o varzealegrense Amadeu Siebra Neto foi a  vizinha Farias Brito para participar das festividades de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade.

No decorrer da animada festa, Amadeu se interessou por uma jovem  fariasbritense. Para encantar e impressionar a bela pretendente, apresentou-se como gerente da agência do Banco do Estado do Ceará – BEC – de Várzea Alegre.

Dias depois, cedo da manhã, na antiga Rua Major Joaquim Alves, no prédio onde hoje funciona o Depósito Meneses, Amadeu cumpria sua função de faxineiro do BEC de Várzea Alegre, quando foi avisado pelo vigilante da agência de que havia uma moça na calçada à sua espera. Ao abir a porta, segurando a vassoura, Amadeu se deparou com a jovem que conhecera em Farias Brito, e foi logo questionado:

- Amadeu, você me disse que era gerente e tá é limpando o banco?

 Mesmo surpreendido com a inesperada visita, o auxiliar de limpeza respondeu:

- Minha querida, aqui quem chega primeiro é quem varre o banco...


Colaboração: Amadeu Siebra Neto

(imagem Google)

terça-feira, 19 de julho de 2011

430 - O DODGE E A ENXADA



Embora contasse muitas e boas histórias do tempo em quem serviu o exército em Fortaleza, nesse período o indisciplinado Antônio Ulisses não teve vida fácil. Como todo soldado, além dos puxados treinamentos, foi escalado para outras atividades externas, como limpeza das ruas e podagem das árvores das movimentadas avenidas da capital cearense. 

Sempre que deixava o quartel para realizar essas tarefas, conterrâneos que passavam pelas ruas de Fortaleza flagravam  o  trabalho duro e mexiam com o suado e cansado soldado varzealegrense:

- Eita Antônio Ulisses, pensou que a vida do quartel era moleza, né?

- Vai aprendendo, Antônio Ulisses. Segura direito no cabo dessa enxada, hômi.

No início da década de setenta, cumprido o serviço militar obrigatório, Antônio Ulisses voltou para  sua cidade natal, Várzea Alegre, onde logo passou a trabalhar como secretário e motorista do seu avô, o usineiro de algodão Dirceu de Carvalho Pimpim.

Na nova função, dirigindo o Jeep do Coronel Dirceu,  Antônio Ulisses viajava frequentemente para Crato e Juazeiro, onde seu patrão-avô mantinha vários contatos comercias. 

Numa dessas viagens, o Coronel Dirceu tratou de negócios na usina dos Bezerras em Juazeiro do Norte e aproveitou para deixar seu Jeep em uma oficina de manutenção de veículos. Na terra de Padre Cícero, ao saber que o importante cliente estava sem carro, o empresário, deputado e futuro governador do Ceará, Adauto Bezerra, colocou seu famoso e luxuoso veículo Dodge à disposição do Coronel Dirceu.

Já de volta a Várzea Alegre, no lotado Bar de Nego de Aninha, tomando uma gelada cerveja no fim da tarde com seu amigo de infância e comerciante Alberto Siebra, Antônio Ulisses, em voz alta, comentou:

- É danado, Alberto. Quando eu tava no serviço duro  do quartel em Fortaleza toda hora eu encontrava uma pessoa daqui. Ontem eu passei o dia inteiro no Dodge do Coronel Adauto e num vi um cristão daqui. Dirigi de cabeça pra fora, gastei o tanque de gasolina do carro do Deputado e num topei com um varzealegrense por lá...


Colaboração: Alberto Siebra

(Imagem Google)

domingo, 17 de julho de 2011

429 - CAMA INDISCRETA





Hoje em dia vemos  programas de TV em que  os adolescentes discutem abertamente com especilistas sobre questões sexuais. Mas infelizmente o sexo nem sempre foi encarado como algo limpo, natural e humano.

Na década de sessenta, em Várzea Alegre, dois jovens recém casados receberam em sua residência um parente da zona rural que sofria de reumatismo. Como acontecia na época, o doente permaneceu na cidade durante todo o tratamento para receber a medicação.

O parente adoentado acomodou-se na sala, ao lado do único quarto onde o casal dormia. Nas casas antigas, a divisão interna era feita por meia parede, que não subia até o teto.  Se servia para melhorar a ventilação e refrescar os cômodos mais íntimos, essa forma de construção não permitia muita privacidade.

Passados mais de trinta dias de tratamento, o doente agradeceu a acolhida, se despediu e voltou para o sítio onde morava. Mal o parente saiu, a jovem mulher entrou na residência ao lado e reclamou:

- Vizia, inda bem que meu primo melhorou e voltou pro sítio. Eu e Ontoe passamos esses dias tudo sem manter.

- Valha, Maria. E o que que houve ?

- A cama lá de casa range muito, vizia. A visita ia escutá nós fazeno imoralidade.


(imagem Google)  

sábado, 16 de julho de 2011

428 - CAFÉ NO CRATO ( Pedra de Clarianã há dois anos)




           Era 1953 e Terezinha contava apenas com dez anos de idade. Uma das filhas da numerosa prole do casal Antônio Costa e Maria Amélia, a garota nunca havia deixado as terras da pequena e isolada Várzea Alegre. Até que um dia recebeu o convite de seu avô materno, o industrial Dirceu de Carvalho Pimpim:

          - Terezinha, diga a sua mãe que você vai comigo e Dosa para a festa do centenário do Crato.

          O mês que faltava para a viagem inundou a imaginação da garota. Sem muitas referências, pensou inicialmente que Crato era apenas um sítio ou talvez uma outra pequena localidade com as mesmas limitações de sua humilde terra natal. Mas a intuição dizia que aquele passeio marcaria sua memória para sempre.

          Calçando alpercatas novas compradas por seu avô e trajando vestido especialmente feito por sua avó Madrinha Dosa, Terezinha finalmente seguiu para o Crato na boléia do caminhão misto de Toin Diniz. A menina não precisava falar. Seu silencioso e tímido rosto traduzia a enorme felicidade sentida naquele momento.

          Depois de cerca de quinze léguas de estrada sinuosa, o velho caminhão chegou ao Crato. A curta caminhada da parada da Rua Monsenhor Esmeraldo até à Senador Pompeu, no oitão da Igreja São Vicente, onde iriam se hospedar, já foi suficiente para impressionar a garota. Viu muito mais carros nas vias do que os únicos três que pouco circulavam por Várzea Alegre. A “Princesa do Cariri” estava em festa, pois além dos cem anos de emancipação, também seria retomada a exposição agropecuária após período de interrupção.

          Naquele proveitoso passeio, interessantes novidades surpreenderam os aguçados sentidos da pequena varzealegrense. Além de conhecer o trem, a menina ouviu o barulho do vôo rasante do avião que trazia para as festividades o vice-presidente Café Filho. Na elegante comitiva oficial, recebida pelo prefeito Doutor Teles Cartaxo e pelo governador Raul Barbosa, também vieram outros futuros presidentes, como o comandante da 10ª Região Militar General Castelo Branco e o Ministro do Trabalho João Goulart. Essas e várias outras graduadas autoridades passaram em revista pela rua enfeitada e miraram nos olhos admirados da menina.

          Ao voltar do sonho e desembarcar de volta à sua querida cidade, a menina, orgulhosa, cheia de novidades, ostentando um dourado relógio ganhado do avô, foi logo dizendo para as inúmeras crianças que a aguardavam:

          - Sabe quem eu vi no Crato bem de pertin? O presidente Café filho.

         Uma garota mais velha que ouvia a conversa, em flagrante despeito, resmungou:

         - Oxe, besteira. Se danar daqui pro Crato só pra ver isso. Carecia não. Era só comprar uma quarta de café na bodega de seu Zé Augusto.

Colaboração: Terezinha Costa Cavalcante
(imagem Google)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

427 - GUARDA-ROUPA RENOVADO




No início da década de 50, depois de servir o exército na cidade de Londrina e morar por seis anos em São Paulo, meu tio materno João Alves Costa voltou para o Ceará. Em Fortaleza, assumiu uma vaga no serviço público federal, no antigo IAPC -  Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários.

Logo que recebeu os primeiros vencimentos do novo emprego, João decidiu passear em Várzea Alegre, sertão cearense, para visitar os seus familiares.

Já em sua cidade natal, usando  calça, camisa e sapatos novos, foi à residência  dos seus avôs Rosa e Dirceu  Carvalho. Na casa grande em frente à igreja matriz, o coronel Dirceu recebeu com muita simpatia o seu neto mais velho. Ao sabor de um delicioso café  o visitante ouviu o avô e contou histórias do tempo em que viveu pelas regiões sul e sudeste do Brasil.

Na despedida, com o jovem João, de reluzente relógio no pulso esquerdo,  mais uma vez tomando a benção dos seus queridos avôs, o vaidoso Coronel Dirceu observou para a elegância do simpático visitante e indagou:

- Meu neto, de dinheiro você gastou quanto dos pés à cabeça?


(imagem Google)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

426 - CEARENSE E PORTUGUÊS




Quando, no antigo primário, estudei sobre a formação étnica do povo cearense, não entendi porque nós, com tanto sangue português, saimos com estatura baixa, joelho grosso e cabeça chata. Eu imaginava que nós, pela predominante descencência europeia, deveriamos ser altos, fortes e com rosto afilado.

Porém, em 1997, ao percorrer o caminho inverso de Cabral e conhecer de perto os irmãos do outro lado do Atlântico, me convenci da nossa forte origem lusitana. Além do mesmo espírito migratório do cearense, descobri outras semelhanças com os portugueses.

No primeiro dia em Portugal, caminhei pelo atraente centro histórico da milenar Lisboa. Subindo em direção ao Castelo de São Jorge, observando as pessoas do lugar, eu, conversando comigo mesmo, balbuciava:

- Vixe, lá vai um baixin careca, igualzin a ti Chico. Olha aquele ali, cabeçudo, parece ti Zé. Aquela outra ali é tia Socorro cagada e cuspida.


(imagem Google)