quarta-feira, 1 de março de 2017

964 - O LADRÃO ESFAQUEADO *


Logo após o seu casamento com Maria Aparecida Feitosa Costa, ocorrido em 1976, Antônio Ulisses foi residir na rua Coronel Pimpim, em Várzea Alegre, no imóvel onde funcionou a Sorveteria Ki-Delícia. Certa madrugada, foi acordado por sua esposa, que, assustada com um estranho barulho, desconfiava que havia um ladrão dentro de casa. 

Assim, Antônio Ulisses tomou coragem e foi ver o que acontecia. Na cozinha, percebeu que o larápio havia desarrumado algumas coisas e preparado outras para levar. Como a porta do banheiro estava entreaberta, desconfiou que o ladrão se escondera naquele cômodo.

Empunhando uma faca tipo peixeira, decidiu enfrentar o meliante. Tentou entrar no banheiro, mas o ladrão segurava a porta, impedindo sua passagem. Disposto a encará-lo, Antônio Ulisses planejou empurrar a porta com força e desferir uma única facada no perigoso bandido.

Não deu outra. Em uma ação rápida e eficiente, com extrema força, empurrou com o ombro a porta do banheiro e desferiu um golpe transfixante na barriga do elemento.

Felizmente não se tratava do larápio, a facada atravessou um saco com roupa suja que sua esposa guardava pendurada dentro daquele cubículo. Era o saco que impedia a total abertura da porta. Em vez de atingir o abdômen do ladrão, furou várias peças de roupa, inclusive algumas das que mais gostava, como a calça do conjunto de mescla azul que usara em seu casamento.


 extraído do livro "Conte Essa, Conte Aquela - Histórias de Antônio Ulisses"


*Publicada originalmente no blog em 27 de fevereiro de 2009

(imagem google)

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