segunda-feira, 22 de outubro de 2012

667 - PICOLÉ PREMIADO




Em meados da década de setenta, na pequena e acolhedora Várzea Alegre, o Bar de “Nego de Aninha”, estabelecido na antiga Rua Major Joaquim Alves, resolveu diversificar a atividade e  ingressar fortemente no ramo do picolé. E para alavancar as vendas logo apresentou a promoção do palito premiado.

Foi uma doce época em que os meninos e as meninas da cidade cearense saboreavam os picolés de coco queimado, goiaba, manga, cajá, tamarindo, ou outros sabores, ansiosos para ver se o palito trazia o carimbo borrado e pouco legível  do Bar de Nego de Aninha. Era o bastante para ter direito a um outro delicioso gelado.

Pouco dias após o início da promoção, o número de garotos agraciados com o prêmio aumentou vertiginosamente. Eram tantos os contemplados que os vendedores externos -  picolezeiros - voltavam ao bar empurrando o carrinho cheio de palitos carimbados.

         Preocupado com a queda na arrecadação, Francisco Gregório da Costa, conhecido por todos como Nego de Aninha, chamou seu filho Antônio, responsável pela preparação dos picolés,  e perguntou:

         - Tontôi, você numcarimbano palito demais não?

        O filho, já desconfiado com as fraudes praticadas pelos garotos da cidade, respondeu:

         - Pai, eu num tou não, mas os fregues dos picolés tão carimbano adoidado...


(imagem Google)

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